02 maio 2015

Carta Um

 
 
Oi.
 
Eu sei. Nem sempre as coisas que eu escrevo pra você são boas. Me desculpe por isso. Mas você me conhece. Eu sou assim, temperamental ao extremo. Com sentimentos transbordando a todo momento. Vivo com os nervos à flor da pele.
 
{E a mente com os pensamentos em você.}
 
A verdade é que eu morro de ciúmes de você. Dos seus amigos. Das suas bebedeiras. Das suas saídas. Das suas idas à festas. Eu confesso. Morro de ciúmes. Mil e uma coisas passam pela minha cabeça, mesmo sem eu não ter mais quase nada a ver com a sua vida. Eu tento te provocar. Confesso também. Mas acho que você já saiba disso. Embora não tenha motivos nem razoes para isso. Embora eu saiba que não deveria me meter na sua vida e nas suas coisas, eu não resisto. Sei que posso me magoar, mas eu não resisto.
 
Odeio essa minha indecisão. Essa minha mania boba e irritante. Eu queria não ser apegada a ti, mas o que eu posso fazer? Eu não consigo. Sinceramente, odeio isso. Por esse motivo estou escrevendo esse projeto de carta pela internet. Porque assim eu sei que você vai ler e saber que é pra você. Assim eu não preciso ficar ansiosa esperando pela sua resposta, desesperada e descabelada. Assim, eu sei que voce vai ler e saber tudo o que eu gostaria de lhe falar, mas sem coragem o suficiente.
 
Na verdade, só quero me poupar de mais uma decepção, como de quando eu fiz aquele texto de feliz aniversario, que voce me respondeu com três emotions. Sabia que eu passei horas escrevendo e reescrevendo, pra encontrar as melhores palavras, pra deixa-lo o melhor organizado possível, pra ter a certeza de que eu não esqueci de dizer nada?
 
Eu tenho medo. Odeio isso. De verdade. Essa incerteza idiota. O fato de não saber como será o amanhã. O nosso amanhã. Se você vai ter se cansado de mim. Se você vai estar com outra. Sabe, eu tenho medo disso. Parece que eu estou atravessando um mar tempestuoso com um barquinho de papel. Eu preciso da sua ajuda. Do seu apoio. De você do meu lado.
 
Eu gostaria tanto de saber mais sobre a sua vida, sua rotina, as coisas banais que acontecem no seu dia a dia, como antes. Eu sinto falta disso. De quando voce me contava aquelas coisas normais e os simples acontecimentos do seu dia.
 
Estou com saudades. Mas eu não queria estar. Não queria sentir isso. Eu só queria saber do nosso amanhã, de como nós vamos estar.
 
Então, promete pra mim. Promete que vai ficar do meu lado. Eu estou precisando de você. Então, para com isso, de não demonstrar seus sentimentos e tudo o mais. Me conta as coisas diárias do seu dia a dia. Me conta as coisinhas aleatórias que aconteceram no seu dia. Abre seu coração. Volta a ser como era antes comigo. Eu não quero me sentir somente uma amiga qualquer sua. Porque eu não sou. São quase uma década de amizade e tudo o mais.
 
Volto a te escrever, em breve.

22 abril 2015

Mágoas

 
Será que você não percebe como me magoa, com as suas atitudes hipócritas, sem pensar se vai ou não me ferir? Será que você não enxerga isso, ou se faz de cego? Me diz. Me diz porque eu confesso, estou desistindo. De você.
 
Cansei de ter sempre que estar ao seu lado quando você precisa, enquanto você desaparece toda vez que eu preciso de ti. E o pior. Você é um babaca que nem se dá conta. Eu puxo assunto com você, mas o que você faz? Briga comigo. Porque não quer conversar. Porque seu dia não foi bom. Porque você tá com algum problema do tamanho de uma ervilha.
 
Ou porque você não tem a obrigação de falar comigo, nem de me responder.
Mas e eu, tenho alguma obrigação com você?
 
Porque, as vezes, é o que parece. Eu não posso demorar pra te responder. Visualizar e não falar nada, então, nem pensar. Mas também não é qualquer coisa que eu possa falar. Tem que ser o mais perto - pra não falar na cara - daquilo que você quer ouvir. Respostar curtas não valem.
 
Também não posso dizer minha opinião de quando você vai para o bar com os amigos. Mas você pode me mandar mensagem no meio da noite podre de bêbado, porque a otária aqui vai acordar pra responder.
 
Será que você não percebe? Será que a culpa é minha? Eu acho que não. Eu fiz de tudo. Eu ainda estou aqui. Enquanto você fugiu no primeiro obstáculo.
 
Mas eu não sou de ferro. Também canso. Estou chegando no meu limite.
 
Seria bom você perceber logo.
 
Porque quando eu desistir, não tem volta, meu amigo.

18 abril 2015

Mais Uma Canção de Amor



Para variar
Eu dedico à você
Essas palavras cruzadas
Em linhas embaralhadas
Que dão formas tortas
À estrofes embaçadas

Uma velha canção
de Rock n' Roll
Que não faz o seu estilo
Porque a voz do vocalista
É rouca de mais

Com aquele sentimentalismo
Exagerado que transborda
Como essa canção
Em forma de poema - ou poesia

Talvez como a desgastada canção
Que eu estou ouvindo
Você não goste dessa
Que eu estou escrevendo para ti

Sentimentos não parecem
Mais fazer o seu estilo
Ou é você que prefere esconder?

Porque tantos segredos
E sentimentos
Guardados para si próprio?

Eu ainda não fui embora
Continuo a te esperar
Agarrada a ultima esperança
Tola e ingênua
Que você insiste em me dar

Aqui estou eu
A te esperar
Mas por quanto tempo?
Você me dirá quando parar?

Ou me enganará
Como fez da ultima vez?

Eu Estarei Aqui



E quando o mundo desabar
Eu ainda estarei aqui
Esperando por você
Para lhe confortar
Dentro do meu abraço

E quando você acordar
Do pesadelo no meio da noite
Eu vou estar aqui
Do seu lado
Beijando-lhe a testa
Acalmando-te em meus braços

E quando você perder a calma
Eu estarei aqui
Serei sua ouvinte
E segurarei sua mão
E a beijarei suavemente

E quando você desabar em lágrimas
Eu sem dúvida alguma
Estarei aqui
Dizendo-lhe palavras amigas
Acariciando-lhe
E protegendo-te

Eu sempre estarei aqui
Não importando a razão
O motivo
Ou a falta de motivo
Eu estarei aqui.

14 abril 2015

Talvez

 
 
Talvez. Talvez. Talvez.
 
Talvez se eu tivesse desistido ainda no começo. Ou até mesmo antes de começar. Talvez se eu tivesse me fechado, e não tivesse permitido sua entrada no meu mundo bagunçado. Talvez se você não ultrapassasse as barreiras e as muralhas que eu coloquei para te afastar. Talvez.
 
Talvez se eu não tivesse me permitido apaixonar-me dessa maneira. Talvez isso não teria acontecido. Talvez meu coração não estivesse despedaçado. Talvez eu não teria conhecido a dor de um amor. Talvez eu estaria com você aqui. Ou melhor, talvez eu estivesse bem melhor sem você aqui.
 
Talvez isso seja apenas o começo. Talvez o meio. Ou o improvável final. Talvez nossa história esteja somente no passado. Rasgado, esquecido, com as páginas amareladas. Talvez já tenha acabado para você. Talvez devesse ter acabado para mim.
 
Talvez se eu não me prendesse a você dessa forma. Talvez se você não fizesse com que eu me prendesse a você dessa maneira. Talvez se não fosse minhas dores e amores. Ou minhas confusões e loucura exagerada. Talvez a culpa seja do meu riso idiota e desesperado. Talvez seja por causa do meu amor doentio. Ou talvez seja somente a falta do seu amor doentio.
 
Talvez sua reserva de amor tenha se esgotado. Talvez se não fosse seus enigmas. Eu entenderia você. Talvez se minha mente não achasse tudo o que você faz um enigma, eu te entenderia. Talvez se você fosse mais claro. Como a luz do sol, ou o brilho da lua. Talvez eu entendesse o que está acontecendo conosco. Ou talvez eu entendesse o que aconteceu.
 
 
Talvez se não fosse a distância ou a sua fraqueza. Talvez a minha fraqueza. Se eu não tivesse lido todos aqueles poemas. Talvez se eu não escrevesse todas aquelas coisas para ti. Talvez meu coração não se sentisse tão traído, tão enganado, tão sozinho.
 
Talvez se você ainda estivesse aqui.
 
Talvez se você não tivesse me abandonado. Ou talvez tenha sido eu quem te abandonou? Talvez se eu encontrasse as respostas, eu não seria tão confusa assim. Talvez não seria eu.
 
Talvez se eu tivesse prestado mais atenção em você. Se eu tivesse te dado mais carinho. Talvez se eu tivesse dado a atenção que você precisava - e merecia. Talvez se eu não fosse tão manhosa e melodramática. Talvez se não fosse as discussões idiotas.
 
Talvez eu não devesse ter pedido tantas desculpas. Talvez eu devesse ter me desculpado mais. Talvez você não tenha aceitado verdadeiramente minhas desculpas.
 
Talvez, se não fosse todas as magoas que ainda estão em meu peito, isso não seria assim.
 
Talvez.