13 novembro 2014

Monomania


Que horas são? Eu não sei, mas já é tarde. Uma música toca alto, silenciando todos os outros sons ao redor. Observo minha bagunça organizada, enquanto minha mente está perdida em pensamentos vazios.
 
Algumas gotas de chuva escorrem pelo lado de fora da janela, enquanto o céu nublado, em contraste com a luz apagada dá um tom melancólico, porém acolhedor ao cômodo.
Há livros por todas as partes. E inúmeras folhas de caderno amassadas, dobradas e rasgadas, para ninguém ler as palavras falhas que nelas estavam. No aquário, o peixe movimenta-se tranquilamente, exibindo sua exuberante cauda em diversos tons de azul.
 
Observo vagarosamente cada canto do quarto. O meu mundinho particular. E outra música começa. Uma sensação de nostalgia percorre minhas veias, enquanto meus pensamentos vagam dentro da minha cabeça.

Não estou triste. É uma simples monomania minha. Que me faz bem. Imaginar que o universo inteiro cabe inteiro dentro de um cômodo de sei lá quantos metros quadrados. E que é meu. Um lugar onde eu governo. Uma área restrita. Repleta das minhas confusões. Onde ninguém mais tem a permissão de entrar.

Parece sombrio, mas a solidão, às vezes, é acolhedora. Faz bem. É assim que eu gosto de organizar meus pensamentos e tudo o mais que se passa dentro de mim. Deixo a música alta o suficiente para que não haja mais nenhum som no meu universo. É uma espécie de silêncio gostoso.

E a chuva continua a cair, vagarosamente, pelo lado de fora da janela de vidro. A luz já não é tão penetrante assim, e logo o quarto vai escurecendo, com certa preguiça de transformar-se em escuridão.

E eu adormeço.

Nenhum comentário:

Postar um comentário