15 novembro 2014

O Dia em que o Amor Acabou

 
Foi numa tarde gelada de quinta-feira, com gotas da fria chuva de novembro escorrendo pela janela de vidro. A mesma que permitia aos dourados e enfraquecidos raios de sol penetrar no cômodo. E, embora pareça, o dia não estava melancólico.
 
Uma música qualquer do Foster The People estava tocando no volume máximo. E, mesmo assim, o silêncio de todo o universo parecia estar no meu quarto, capaz de ensurdecer qualquer um. Porém, era acolhedor e aconchegante.
 
Eu estava sentada no carpete, com as costas escoradas na lateral da cama, enrolada no meu edredom favorito: um branco com algumas flores rosa. O café exalava um aroma assustadoramente bom e convidativo. E, enquanto eu assoprava, o amor foi se esvaindo de dentro de mim, junto com o doce aroma do café excessivamente quente.
 
Meus olhos nunca estiveram tão verdes e brilhantes como nesse dia. Nenhuma lágrima escorreu pelo meu rosto. Meus lábios, rosados devido ao frio, exibiam um sorrisinho tímido e sincero.
 
Em minha mente, milhares de pensamentos voavam, rodavam, corriam, dançavam, de um lado para o outro, embalados pelas boas vibrações que me dominavam - e ainda me dominam.
 
Havia um livro de poesias antigas, para ser mais exata, de 1843, ao lado do guarda-roupas, junto com várias embalagens de Suflair e Prestígio.
 
Eu lembro-me perfeitamente de cada detalhe. Porque foi nesse dia que o amor acabou. Sem nó ou entrenó. Sem dor ou poesia. Eu me senti livre. Livre de uma maneira que eu nunca pensei que me sentiria. Não livre apenas desse amor sufocante que levava minhas forças e apodrecia-me por dentro. Mas livre de tudo que me fazia mal.
 
Livre das promessas idiotas. Livre do meu mundinho. Livre dos meus medos. Livre das mentiras suas e do mundo. Live das mágoas. Livre de você. Livre da hipocrisia. Livre para curtir a vida. Livre para viver. Livre para ser feliz, como se não houvesse amanhã. Até porque, o amanhã pode não existir.
 
Agora, há em mim, somente coisas boas.


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